O Auditório Municipal de Gaia foi palco, na noite de sexta-feira, de uma homenagem carregada de emoção a António Sala, que celebrou 60 anos de carreira perante uma sala cheia e um público visivelmente comovido. O locutor, de 76 anos, natural de Vilar de Andorinho, foi distinguido pelo Município com a Medalha de Honra da Cidade e o título de Cidadão Honorário de Vila Nova de Gaia.
A distinção foi entregue pelo presidente da Câmara Municipal, Luís Filipe Menezes, num dos momentos mais marcantes da noite. O autarca sublinhou o impacto do percurso profissional e humano de António Sala, evocando a ligação profunda do comunicador à cidade e às várias gerações que acompanhou ao longo de décadas através da rádio.
Durante a cerimónia, Menezes destacou o percurso do homenageado enquanto referência da comunicação em Portugal, salientando o seu contributo para a cultura e para a memória coletiva do país, num discurso marcado pela admiração pessoal e institucional.
A noite de 12 de dezembro de 2025 ficará assim registada como um momento simbólico na história cultural de Gaia, ao assinalar o reconhecimento público de uma das vozes mais marcantes da rádio portuguesa. Nas décadas de 1980 e 1990, António Sala conduziu o programa “Despertar”, da Rádio Renascença, que se tornou durante largos anos o mais ouvido do país no período da manhã.
Embora emitido a partir de Lisboa, o programa contou também com a participação regular, a partir do Porto, de Olga Cardoso, figura incontornável da rádio nacional, falecida recentemente. Essa ligação histórica ajudou a reforçar o peso emocional da homenagem, evocada ao longo do espetáculo.
O evento percorreu diferentes momentos da vida e da carreira de António Sala, desde os primeiros contactos com a música, ainda jovem, ao piano, até ao papel de comunicador em períodos determinantes da história recente de Portugal, como a ditadura, a Guerra Colonial e o 25 de Abril.
A celebração contou com a participação de convidados como Pedro Abrunhosa, Sónia Araújo e Jorge Gabriel, que subiram ao palco para partilhar testemunhos, música e momentos de humor. Houve também espaço para jovens intérpretes e humoristas, num sinal de continuidade e renovação do talento que António Sala ajudou a inspirar ao longo da sua carreira.
A vertente de letrista e compositor foi igualmente recordada, assim como a cumplicidade artística e humana com Olga Cardoso, evocando programas e emissões que marcaram a memória coletiva, incluindo emissões em direto realizadas na Avenida dos Aliados, perante milhares de ouvintes.
A homenagem terminou como começou: com emoção e reconhecimento. Mais do que uma celebração de carreira, a noite foi o reflexo do apreço da comunidade gaiense por um comunicador que, ao longo de seis décadas, construiu uma ligação única com o público e deixou uma marca duradoura na história da rádio e da cultura portuguesa.