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Café Velasquez: um “ponto de encontro” no Porto com décadas de história

Café Velasquez: um

Em mais uma edição da rubrica “Lojas Históricas”, a VIVA foi conhecer melhor o famoso Café Velasquez, que mora na porta nº301 da Praça do Doutor Francisco Sá Carneiro, no Porto. Estivemos à conversa com Carlos Branco, proprietário, que nos falou sobre as singularidades do espaço, planos futuros e muito mais.

Como é que surgiu a ideia de abrir o estabelecimento?

O início começou com a construção destes prédios na praça, através do construtor Ferreira dos Santos. Ele próprio, em conjunto com outros sócios, abriu o café. Foi nos anos 70. Dos anos 70 aos anos 90, passaram quatro gerências, portanto nós entramos nos anos 90, através do meu tio e mais 5 sócios. Formamos uma sociedade que dura até aos dias de hoje, com alterações feitas em 2022. Eu e o meu irmão demos continuidade, juntamente com um sócio que entrou em 2022, até aos dias de hoje.

Têm muitos funcionários convosco desde o início?

Sim, temos trabalhadores que já estão connosco há pelo menos 40 anos. Temos um empregado de mesa que já estava cá, quando nós iniciamos. Mas temos também trabalhadores que têm 20, 25, quase 30 anos de casa, também.

Qual é o “segredo” para conseguir que os funcionários se mantenham tanto tempo?

Eu acho que são as condições que implementamos que os fazem ficar tanto tempo, algo que na restauração é difícil, assim como o ambiente.

Para quem não conhece o Café Velasquez, o que podemos encontrar aqui?

Nós temos duas esplanadas espetaculares, atendendo à localização, que ajudam a puxar muita gente. Nos tempos quentes, nada melhor do que estar numa esplanada, só aí já marcamos a diferença. Depois, também temos o nosso quiosque. Poucos são os estabelecimentos que, hoje em dia, também têm um quiosque inserido no espaço. Parecendo que não, também faz com que haja movimento, já que as pessoas procuram revistas, jornais, jogos de azar/sorte, assim como os nossos produtos de excelência. Apostamos nas Francesinhas, nos Pregos, que são a bandeira da nossa casa.

A Francesinha é um dos pratos mais pedidos pelo público?

Sim, é um dos mais pedidos. Os Pregos em Bolo do Caco têm tido uma procura fantástica, ultimamente, também. No entanto, também apostamos em cozinha tradicional portuguesa, para não perdermos o ADN da nossa cultura. Para além disso, os snacks e um conjunto de produtos que realmente marcam a diferença.

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O que sente que mais tem mudado ao longo dos últimos anos? Desde a oferta ao comportamento do público.

Atualmente, sentimos uma maior mudança a nível de pessoal. Tem sido complicado, porque já poucos fazem carreira de empregado de balcão. São trabalhos praticamente temporários e transitórios para outras atividades. É aí que notamos maior dificuldade. Tirando isso, não sentimos grande diferença. Apostamos sempre na inovação, tentamos adaptar-nos aos tempos que correm e tem corrido tudo muito bem.

Certamente, recebem a visita de turistas também. Como costumam reagir?

Sim, recebemos, mas não é o forte. Mas há sempre um ou outro curioso, principalmente espanhóis, por causa do nome “Velasquez”, que foi um pintor famoso e está ligado ao nome do nosso estabelecimento. As reações costumam ser boas, falam bem do serviço, do espaço, de tudo.

O que é que distingue o Café Velasquez dos outros?

A proximidade que temos com o nosso cliente. Temos clientes desde a inauguração e há uma forte cultura geracional em quem nos visita. Vai passando de pais para filhos, portanto ainda hoje temos os avós, os pais, os netos… É isso que nos distingue dos outros, essa proximidade. É diferente.

Há algum plano futuro que queira implementar no Café Velásquez?

O nosso objetivo é continuar a preservar a tradição, mas sempre com abertura à inovação. Queremos manter a qualidade e autenticidade que nos definem, ao mesmo tempo que pensamos em novas formas de surpreender os clientes, seja com mais variedade gastronómica, eventos culturais ligados à cidade ou melhorias nos nossos espaços, como as esplanadas. Acima de tudo, o plano para o futuro é continuar a ser um ponto de encontro do Porto, onde a tradição e a modernidade convivem lado a lado. Estamos aqui sempre para melhorar e está na altura também de fazer novas obras, como fizemos em 2004. Talvez brevemente sejam feitas, num espaço de 1 ou 2 anos.

Fazem parte da lista “Porto de Tradição” da Câmara do Porto. Qual é o impacto dessa nomeação?

É sempre bom ter o reconhecimento de sermos um local histórico. A distinção foi em julho de 2023 e não passa indiferente ao cliente. Frequenta um estabelecimento que tem essa distinção, é como se tivesse um troféu. Esta distinção trouxe ainda mais visibilidade e reconhecimento ao Café Velasquez. Notámos um aumento de clientes que nos procuram não só pela gastronomia, mas também pelo valor histórico e cultural do espaço. Muitos sentem curiosidade em conhecer um café com identidade própria, que faz parte da história do Porto. Também sentimos um orgulho acrescido dos clientes habituais, que veem reforçada a ligação emocional ao nosso café.

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