Neste mês de setembro, a VIVA! teve a oportunidade de ir conhecer o Café Moreira, na Foz. É um estabelecimento histórico no Porto e que mereceu o selo “Porto de Tradição”. Estivemos à conversa com Óscar Melo, proprietário, que nos contou um pouco mais sobre o espaço.
Quando se fala da experiência dos visitantes no Café Moreira, a reação costuma ser bastante positiva. O responsável conta que os turistas não só elogiam o espaço como também aproveitam para registar o momento em fotografias.


Muitos procuram a casa pela Francesinha, e não faltam clientes vindos de diferentes países da Europa. “Eles sentem-se bem aqui, sentem-se em casa, sentem-se bem tratados”, sublinha, acrescentando que tanto pessoas de elevado estatuto como trabalhadores comuns são recebidos da mesma forma: “Temos desde o mais alto de Portugal ao que limpa a rua e a praia. Fico todo contente com isso.”
Figuras conhecidas também já passaram por lá. Entre os nomes citados estão Eugénio de Andrade, Eduardo Souto de Moura, Álvaro Siza Vieira, Luís Marques Mendes e Ramalho Eanes.
Sobre o ambiente, a filosofia é clara: “Todos por igual. Aqui, não interessa se vem de gravata, se vem sujo ou com as mãos cheias de tinta, tratamos todos bem.” O espaço acolhe desde famílias inteiras até personalidades conhecidas, havendo mesmo quem mantenha a tradição de várias gerações: “Já aconteceu virem cá netos e perguntarem ‘o meu avô está aqui?’”


Quando se fala em especialidades, os queques são apontados como um dos produtos de maior destaque, ao ponto de já terem viajado para Inglaterra: “Já temos tido famílias que, antes de viajar, levam de propósito queques daqui em direção a Londres.”
Mas a Francesinha não fica atrás. O proprietário do Café Moreira conta um episódio recente: “ainda agora que falo consigo, estão duas senhoras ali ao fundo a comer. Já lá só estão os pratos. Gosto quando assim é, porque mais do que dizer que está bom é mostrar que está bom.”
Questionado sobre o que diferencia o Café Moreira, o responsável é perentório: “Nós não somos concorrentes de ninguém. Nós fazemos o nosso trabalho à nossa maneira.” Recorda até os primeiros tempos em que, mesmo sendo patrão, não hesitava em limpar o chão se fosse preciso: “Temos de ser igual aos colegas e saber fazer tudo bem feito.”


O balanço que faz destes anos é simples e direto: “alegre, feliz. Gosto muito de estar aqui e sou muito feliz aqui.”
Por fim, quanto à integração no programa Porto de Tradição, mostra gratidão pelo apoio: “É muito simples, tem sido uma ajuda para fazer as obras. É bom ter esta ajuda da Câmara… É um reconhecimento que nos orgulha, sem dúvida.”