A VIVA! esteve à conversa com Filipa Meneses, do Bufete Fase, um dos restaurantes mais conhecidos na cidade Invicta, que mora na Rua de Santa Catarina. Desde o que distingue a sua emblemática Francesinha, à reação das pessoas, foi possível conhecer melhor esta casa, onde comer bem é um dado adquirido.
Qual é a história do espaço?
A casa surgiu há 42 anos. Foi o meu pai que a abriu e ainda se mantém nos dias de hoje à frente do estabelecimento. Foi sempre trabalhada por família, foi o meu pai e a minha mãe. Entretanto eu comecei a ajudá-los e fiquei mesmo a trabalhar a tempo inteiro com o meu pai. E é mesmo um negócio de família.
Como foi feita a escolha do nome?
Nem o meu pai tem uma resposta muito lógica para o nome escolhida. Na altura, casas pequeninas que faziam uns petiscos tinham o nome “Bufete” ou “Lanchonete”. Como era muito pequenino e o meu pai também queria algo pequeno, até porque o espaço era de 4 mesas apenas, ficou Bufete Fase. Nem ele tem explicação realmente para o nome.
Obviamente que a Francesinha é o ex-libris. Pergunto o que difere a vossa dos outros?
Primeira por ser sempre feita pelas mesmas pessoas, o que tem influência. O meu pai adora aquilo que faz, embora não coma francesinhas. Mas ele gosta muito do que faz. Depois, temos sorte em ter fornecedores que nos fornecem sempre, todos os dias, os mesmos produtos frescos. O meu pai tem fornecedores de há 40 anos! Talvez isso influencie também. E fazemos com muito gosto: não sabemos fazer melhor.

Quais costumam ser as reações?
Por norma, são sempre positivos. Gostam muito do ambiente por ser familiar e de encontrar as mesmas pessoas a atendê-los. Para o cliente, é bom. Há clientes em que já nem sequer é preciso eles pedirem, porque eu já sei o que é que eles querem e como gostam da Francesinha, o que vão beber. E temos a sorte deles gostarem de nós, do nosso serviço, produto, tudo.
Para além da Francesinha, o que destaca mais no vosso menu? O que mais se pede sem ser a Francesinha?
O meu pai inicialmente, quando abriu a casa, fez logo as Francesinhas, mas também Pregos em Pão e Cachorros. Realmente as pessoas gostavam muito. Quando começaram a sair reportagens sobre nós, o meu pai teve de começar a escolher qual o produto que viria a ser o ex-libris da casa. Ficou a Francesinha. Mas os Pregos e os Cachorros, embora muitos não conheçam, tenho clientes de há muitos anos que ainda pedem. Também fazíamos as sandes de carne assada. Nós fazemos outras coisas, mas tudo com os produtos da Francesinha. O Prego por exemplo é feito com o bife da Francesinha. Não temos é outros pratos.
O Bufete Fase é muito conhecido na cidade do Porto. Sente que a localização também ajuda nesse sentido?
Nós realmente estamos em Santa Catarina, é verdade, mas não estamos no olho do furacão. Estamos mais cá para cima, junto ao Marquês. Há clientes que nem associam que esta parte de Santa Catarina ainda é a rua de Santa Catarina. É a forma que temos de olhar para o cliente e chamar-lhe pelo nome. Nunca é a mesa 2, 3 ou 4. Temos muito trabalho, sem dúvida. O meu pai nunca pensou mudar-se para outro espaço gigante, não é isso que ele quer, não é assim que funciona. Temos tido sucesso e, como se costuma dizer, em equipa que ganha não se mexe. Não podemos abraçar o céu e a terra só com dois braços. Fazer pouco e bem, mas o que fazemos sabemos bem o que estamos a fazer.

Há cada vez mais turismo no Porto. Sentem esse efeito?
Temos, sim. Turistas de toda a parte do mundo, há agora muitos asiáticos. Já chegamos a passar numa televisão do Japão, da Coreia do Sul, eles chegam aqui ainda com a reportagem que viram e depois temos os turistas mais próximos, espanhóis, franceses. Muitos brasileiros que às vezes não sei identificar se são residentes ou turistas, mas temos realmente muitas nacionalidades, o que é muito giro.
Como costuma ser o choque cultural?
Quando cá vêm, já sabem para o que vêm. Nem perguntam o que tenho, só dizem que querem Francesinha ou mostram fotografia do que querem. Gostam dela picante, temos a versão do molho normal e podemos ajustar para mais picante. E ficam muito satisfeitos, comem tudo, embora seja um prato pesado para eles. Não estão habituados a batatas fritas e tudo mais. Mas a receção é muito positiva. São muito engraçados a comer a Francesinha, com os garfos e assim, mas a coisa vai lá!
Qual é a capacidade da sala atualmente?
Neste momento, tenho 12 meses, umas de 4 pessoas que pode ser para 6. Mas uma média de 30 e tal pessoas, diria.
Há algum plano futuro?
A casa já tem 40 e tal anos e a divulgação que tem sido feito boca a boca é importante. Claro que quando saímos na comunicação social, é um orgulho para nós. Mas não nos deixamos deslumbrar. Fazemos o serviço o melhor possível, o melhor que sabemos e quando o cliente sai a dizer “obrigado”, isso é muito importante para nós.