CM Matosinhos

Aprender não é uma obrigação

Aprender não é uma obrigação

Quando damos liberdade a uma criança para ser curiosa, descobrir e espaço para aprender ao seu ritmo, estamos também a ensinar o quão maravilhoso pode ser aprender. Enquanto adultos percebemos que quando fazemos alguma coisa por gosto, e outra por obrigação, temos motivações completamente diferentes. Nas crianças, sem filtro para disfarçar, vê-se os seus olhos radiantes a beber informação que tanto desejam em paralelo com qualquer matéria imposta. Ora portanto ensino doméstico para mim, é isso!

É cativar a criança a descobrir, a querer saber, a procurar respostas às suas perguntas. E de uma forma natural evoluir enquanto ser humano capaz de deter tanto conhecimento. Ser curioso é o princípio básico de um ensino baseado na procura orgânica do saber… quando eu quero aprender, eu tenho gosto em assimilar e assim vou caminhando ao ritmo que é ideal para mim.

O ensino doméstico, tal como o nome indica, é feito em casa, e, naturalmente, tem a forte influência da visão sobre educação que os tutores têm e querem passar. Para mim, concretamente, educar e aprender é algo redondo e que abrange muitas vertentes do Ser, Estar e Fazer.

De que me vale uma criança que sabe de cor e salteado os países e capitais do mundo se efetivamente daqui a duas semanas tudo não passou de um simples texto lido, relido e simplesmente decorado? De que me vale uma criança que não sai do quarto a estudar se no recreio entre os pares não consegue afirmar o seu Eu? De que me vale formar alguém sem ter em conta todos os aspectos que nos tornam realmente humanos com estruturas e capacidades para encontrar a felicidade e satisfação?

Volto ainda atrás… será que aprender a esperar, a lutar por alguma coisa, ou simplesmente a ajudar o próximo não são bases tão ou mais fundamentais do que saber uma tabuada? Volto ainda mais atrás… será que damos tempo suficiente às nossas crianças para brincarem livremente e arriscarem percebendo a causa-consequência dos seus atos? Será que a intervenção em demasia do adulto nas brincadeiras entre pares não lhes tira de alguma forma a capacidade para resolver problemas e conflitos tão necessária à sua formação, para que um dia se tornem adultos resilientes?

O ensino doméstico é para mim uma forma mais livre de levar a educação, não menosprezando nunca a importância das bases fundamentais que o português e a matemática têm nas nossas vidas, como parte integrante do pensar, refletir e do saber.

A flexibilidade das matérias e aprendizagens, a avaliação livre de métricas, a descontração do ensinar de forma prazerosa pode levar a resultados surpreendentes e geniais! Quando falo em liberdade de ensino não quero desmesurar nunca a importância de rotinas, obrigações e responsabilidades, mas sempre com o olhar da criança como parte integrante das suas ações.

Inês Saldanha

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