Como e quando surgiu a ideia de abrir a loja?
A ideia foi algo que foi sendo estudado ao longo do tempo. Eu e a minha esposa já tínhamos ideia de ter um negócio há alguns anos, por isso fomos estudando e vendo o que era mais assertivo. Por isso, surgiu algo que era um bem de primeira necessidade como um supermercado. Acabamos por explorar as hipóteses que existiam no mercado na altura e acabamos por ficar.
Qual é a origem do nome?
A questão do nome foi através de alguém que eu considero bastante criativa. É um amiga que trabalho connosco também e que é amiga de longa data. Em conversa, estávamos a tentar entender que nome iríamos dar e, tendo em conta que a localidade é Santo Ovídio, o nome “Fica no Ovídio” surgiu de forma muito espontânea. Ela é muito criativa, nós achamos graça ainda que tivéssemos algum receio. Pensamos que podia ser impactante de uma forma não positiva, mas acabou por ficar.

O que não pode faltar numa loja Amanhecer? Desde o atendimento, aos produtos, à relação com o cliente.
Tudo isso é importante. Se conseguirmos primeiro fazer a diferença, acho que é importante. Ter uma porta aberta e vender acho que qualquer um consegue, mas ter a porta aberta e conseguir servir é muito importante. Por isso, pensamos num conjunto englobado no foco de servir o cliente. Desde a simpatia, à qualidade da marca, ao tratar o cliente do nome, estarmos dentro da localidade e sermos conhecidos como “Rui” e “Bina”, acho que é importante. Esse contacto direto, o conhecer o próprio cliente. O comércio tradicional e o comércio de rua são isso também.

Os clientes dão a entender essa proximidade?
Claro que sim. Quando vêm ter connosco e param mais um bocadinho na caixa a falar connosco, ou até no balcão a contar um problema e uma alegria com os pais, os filhos, os netos, isso é o reconhecimento direto de que essa ligação é importante também.
De que forma sentem que a parceria com o Amanhecer beneficiou o negócio?
É inevitável dizer que foi essencial. Nós começamos o negócio sem perceber nada deste ramo. Apenas tínhamos vontade de trabalhar e algum dinheiro para investir. Claramente o Amanhecer foi a nossa alavanca, não só pela confiança que depositaram em nós, mas também pela qualidade dos produtos que oferecem. Isso ajudou a ter mais confiança para avançar, não só na parceria, mas também na confiança que nos dão.

Alguma história caricata que tenha experienciado?
Há todos os dias algo que pode ser recordado e temos sempre histórias boas. Eu recordava uma fase inicial em que, de facto, as pessoas nos perguntavam algumas coisas, chegavam com legumes à caixa e nós não fazíamos a menor ideia do que é que devíamos faturar, graças à nossa ignorância (risos). Às vezes, era o próprio cliente que nos ajudava a dizer o que era ao certo. Foi bastante complicado e embaraçoso no início, mas levamos sempre isso de forma leve. Fazíamos com que o cliente achasse engraçado e não levasse a mal. Como disse, não tínhamos nenhuma noção e não sabíamos sequer distinguir um legume do outro. Lembro-me de um funcionário, com um nabo na mão, perguntar-me o que era em voz alta e um cliente dizer em voz alta “é um nabo!”. Essas coisas engraçadas ficam, também.
Diria que essa proximidade faz o cliente sentir-se abraçado?
Não tenho dúvidas disso. É claro que não é geral, mas eu acredito que sim e sinto isso. Até como cliente, gosto de sentir que não há gelo e que estamos todos confortáveis. Assim o cliente sente-se integrado e descontraído. Sente que pode abrir a boca e estar à vontade. Não é só boa tarde, quanto é e vamos embora. Vêm aqui conversar um bocadinho, também, não só cumprir a função de comprar bens de primeira necessidade. Alguns vêm para aí 5 vezes por dia.

Acaba por ser um sítio social também?
Sim. A cafetaria trouxe essa parte. Fizemos com que a loja trabalhe o dia inteiro. Há horas mortas como em qualquer superfície grande ou pequena. Mas temos a cafetaria que nos põe sempre a trabalhar. Alguns vêm tomar o pequeno almoço, ficam por cá juntos, outros vêm para o café pós-almoço. Lanche também. Não é um centro social nem nada que se pareça, mas temos um nicho que, de uma forma ou de outra, criam um hábito entre si de cá virem.
Como acha que a loja tem influenciado a comunidade?
Eu gostava de pensar que influenciamos de forma positiva. Contudo, é sempre incerto e inseguro dizer que sim: que influenciamos de forma positiva. Não tenho plena noção de como acontece. Acabamos por vezes por ajudar clientes com problemas pessoais, financeiros. Ajudamos instituições locais, damos de forma direta bens essenciais, coisas básicas. Fazemos campanhas de recolha de bens alimentares. Eles confiam em nós e nós transportamos os alimentos. Portanto, quero pensar que sim. Que temos um impacto positivo no meio.