PUB
CIN woodtec

Alceu Valença: “Vivo! Revivo! é presente, passado e futuro todos ao mesmo tempo”

Alceu Valença:

Alceu Valença, um dos mais inquietos e inovadores artistas da música brasileira que já vendeu mais de 5 milhões de discos e tem apresentado espetáculos esgotados um pouco por todo o mundo, regressa a Portugal. Esta noite na Casa da Música, num  concerto imperdível.  

Esta visita a Portugal marca a apresentação do espetáculo “Vivo! Revivo!” que revisita a trajetória do artista nos seus primeiros anos de carreira e recria no palco o repertório dos discos “Molhado de Suor” (1974), “Espelho Cristalino” (1977) e do icónico LP “Vivo!” (1976), álbum que melhor simboliza a produção criativa de Alceu Valença naquele período de sonhos, metáforas e censura. Uma época que não era fácil para a criatividade, mas que permitia aos audazes como Alceu “fintar” a situação.

PUBLICIDADE - CONTINUE A LEITURA A SEGUIR

A Viva falou com o músico em jeito de antecipação do concerto desta noite.
Viva: Por que o espetáculo “Vivo! Revivo”?
Alceu Valença: Vivo! Revivo! é presente, passado e futuro todos ao mesmo tempo. É um espetáculo em que recrio minhas músicas dos anos 70, mas em que também aproveito para inserir os grandes sucessos da minha carreira, músicas que não podem faltar em meus shows. Havia uma demanda muito grande no Brasil por esta fase da minha carreira, que inclui os discos “Molhado de Suor” (1974), “Vivo!” (1976) e “Espelho Cristalino” (1977). Há um diálogo entre a música tradicional do Nordeste do Brasil com os elementos do rock, da psicodelia, timbre e intensidade que resultam num rock que não é rock. Mas também há letras metafóricas, que fustigavam a censura num período de Ditadura Militar. Versos como “quando falo desdigo, calo e minto / Sou de ferro, aço e de granito /grito aflito na rua do sossego” foram criados num determinado contexto mas permanecem contemporâneos. Este show atrai um público jovem, ansioso por liberdade criativa, por uma arte que também seja provocativa, questionadora. Esta geração começou a pedir nas redes sociais que eu recriasse este show e isso resultou no CD / DVD “Vivo! Revivo”, que lanço agora. E também vou cantar sucessos como “Tropicana”, “Anunciação”, “Belle de Jour”, “Coração Bobo”, que marcam diferentes gerações.

Os anos 70 foram tempos de aventura. Como resume esta fase da sua vida?
AV: Ao mesmo tempo em que havia este espírito de aventura a que você se refere também havia algo bastante nebuloso aquele período. Minha geração assume um sentido político muito forte por ter vivido um momento de endurecimento da ditadura, com o cerceamento das liberdades individuais no Brasil. Muitos dos meus amigos foram perseguidos, presos, torturados. E nós sentíamos que era necessário usar a arte como expressão contra toda aquela truculência. Este período ganhou um contorno mitológico, mas existe também um preço a ser pago. As gravadoras metacharam de maldito, os espaços diminuíram. Em 1979, decidi fazer um autoexílio em Paris e acabei por mergulhar mais fundo nas minhas raízes. Ali compus “Coração Bobo”, que iniciou uma fase de muito sucesso na minha carreira, o que coincide com a volta da democracia no Brasil.

Como caracteriza o público português?
AV: É um público apaixonado pela música brasileira. Há dois anos cantei na Casa da Música acompanhado da Orquestra Ouro Preto, com quem gravei o CD / DVD “Valencianas”. Era um espetáculo com linguagem de concerto, mas o público quebrou o protocolo e começou a dançar na sala. Foi uma sensação maravilhosa.

O que o público portuense pode esperar deste concerto na Casa da Música?
AV: Pode esperar a faceta única de um artista múltiplo, que mantém-se fiel à sua arte e jamais faz concessões ao comercialismo fácil. No palco, costumo dizer que sou como um espelho do meu público. Eu me reflito nele e ele se reflete em mim.

PUBLICIDADE - CONTINUE A LEITURA A SEGUIR

PUB
Amanhcer