Desde a reabertura do Mercado do Bolhão, em setembro de 2022, após as obras de restauro e modernização, cerca de 70% dos comerciantes históricos mantêm-se em atividade no mercado de frescos.
Em declarações citadas pelo Jornal de Notícias esta quinta-feira, 28 de agosto, a GO Porto, entidade responsável pela gestão do espaço, sublinha que “o número evidencia a continuidade de um grupo que tem marcado a identidade do espaço ao longo dos anos” e reforça a vontade de que “parem de dizer mal do Mercado do Bolhão”.
A reação surge depois da publicação de uma notícia sobre o encerramento de algumas bancas, que, segundo a empresa municipal, resulta de “circunstâncias do foro pessoal”.
A GO Porto recorda que o Bolhão “representa diferentes perfis de comerciantes, com necessidades e opiniões diversas, sendo papel da GO Porto conciliar esses interesses, assegurando a viabilidade dos negócios e um equilíbrio entre as várias posições”.
A entidade frisa ainda que “os comerciantes históricos sempre desempenharam, e continuam a desempenhar, um papel essencial na identidade do Mercado”, lembrando que o trabalho de proximidade com esses operadores “remonta ao período anterior às obras de restauro e modernização”. Entre as medidas que contribuíram para garantir a continuidade destes comerciantes, a gestão destaca “a criação do Mercado Temporário do Bolhão, apoios financeiros e indemnizações durante as obras, manutenção das rendas, possibilidade de transmissão de licenças a familiares e outros direitos associados”.
“Graças a estas medidas, a permanência dos históricos continua a ser expressiva: representam hoje 69% da ocupação do Bolhão”, reforça a empresa municipal.
Sobre a saída de algumas bancas históricas da secção de vegetais, a GO Porto esclarece que tal se deve a “circunstâncias do foro pessoal, alheias à gestão e à viabilidade do negócio no Bolhão”. Quanto à salsicharia referida na notícia, a entidade garante que “não deixou o Mercado, mas passou por uma reformulação estratégica da própria banca, com a alteração da designação comercial do negócio”.
A empresa afirma ainda que a revisão do regulamento do mercado “é tratada como prioridade pela empresa municipal GO Porto”, estando atualmente a ser discutida em conjunto com “um grupo de comerciantes, constituído de forma espontânea”.
Segundo a GO Porto, esse acompanhamento “inclui diálogo regular, com o objetivo de adaptar o Regulamento às necessidades atuais, três anos após a reabertura do espaço”. As reuniões com os operadores têm como objetivo “manter uma escuta ativa e assegurar a equidade entre todos os operadores económicos do Mercado”.
A gestão adianta também que está a trabalhar “em medidas adicionais para reforçar este enquadramento e adaptar as regras à realidade atual do Bolhão”, garantindo que a aplicação do regulamento e da legislação é feita de forma contínua e acompanhada de intervenções “sempre que se identificam situações que exigem ajustes ou correções”.