No Agrupamento de Escolas Fontes Pereira de Melo, no Porto, está oficialmente proibida a utilização de telemóveis, smartphones e smartwatches, em todos os ciclos de ensino, incluindo o secundário. A regra aplica-se tanto dentro como fora das salas de aula, mas o regulamento interno prevê exceções específicas para garantir que os alunos em situações particulares não ficam prejudicados.
Segundo o Porto Canal, um desses casos é o de Kubra Ecrin Centitürk, uma aluna turca de 11 anos que chegou a Portugal há apenas cinco dias e que ainda só sabe dizer algumas palavras básicas em português. Para facilitar a comunicação com professores e colegas, Kubra está autorizada a usar o telemóvel com acesso à Internet, recorrendo a aplicações de tradução automática.
Segundo Miguel Pais, adjunto da direção da escola secundária do agrupamento, existe um regulamento que permite a utilização de dispositivos móveis em situações devidamente justificadas, como no caso de alunos cuja língua materna não é o português e que tenham níveis muito baixos de domínio da língua. (via Porto Canal)
Além disso, o uso de telemóveis é também permitido:
- Em contexto de sala de aula, sempre que a atividade tenha fins didáticos e pedagógicos, mediante autorização expressa do professor e com supervisão adequada;
- A alunos com problemas de saúde, nomeadamente diabetes, que usem aplicações de monitorização como os controlos de glicemia;
- A estudantes com outros problemas de saúde comprovados, com parecer favorável da equipa multidisciplinar de apoio à educação inclusiva, fora das aulas ou em espaços onde não decorram atividades letivas.
Apesar das exceções, a regra geral é clara: os dispositivos devem estar desligados e guardados nas mochilas antes da entrada no recinto escolar, no caso do pré-escolar e 1.º ciclo, e desligados ou em modo silêncio, nos restantes ciclos, incluindo o ensino secundário, sempre que os alunos entrem nos blocos de aulas ou zonas sinalizadas.
Mas nem todos os alunos veem esta limitação como um problema. Carolina Soares, de 10 anos, que iniciou o 5.º ano no ensino articulado em Teatro, diz que não tem telemóvel e nem sente falta: “Há um mundo inteiro cá fora. A vida cá fora é que importa e conviver também faz bem”, afirma, explicando que prefere pintar paisagens e naturezas mortas em equipa, sem qualquer espírito competitivo.
Já Maria João Alves, da mesma turma, revela ter apenas um telemóvel básico, sem câmara: “Nem sequer tira fotos”, conta, acrescentando que aprecia a ausência de smartphones porque isso permite brincar com mais colegas. “Se houver telemóvel, ninguém brinca comigo”, lamenta.
José Maria, de 9 anos, também aprova a medida. Frequentador assíduo da Biblioteca, onde joga xadrez, afirma que a proibição incentiva o convívio entre os alunos: “Se houver telemóvel, ninguém brinca”, diz, antes de dar um xeque-mate ao colega de jogo.
O agrupamento escolar conta com cinco escolas e aplica as diretrizes nacionais que, desde o início deste ano letivo, recomendam restrições ao uso de dispositivos móveis em contexto escolar, com o objetivo de melhorar o ambiente de aprendizagem, reforçar a interação social e prevenir problemas associados ao uso excessivo da tecnologia.