O Governo autorizou o abate de 292 sobreiros nos concelhos de Baião (distrito do Porto) e Mesão Frio (Vila Real) para permitir o avanço da eletrificação da Linha do Douro, no troço entre Marco de Canaveses e Peso da Régua. A medida, publicada esta sexta-feira em Diário da República, está condicionada à implementação de ações de compensação ambiental, incluindo a plantação da mesma espécie noutra localização.
A declaração de “imprescindível utilidade pública” do projeto, assinada pelos secretários de Estado das Infraestruturas e das Florestas, refere que a Infraestruturas de Portugal (IP), responsável pela obra, propôs a arborização de uma área de 1,5487 hectares na freguesia de Fornelos, em Fafe. O local, situado numa zona sobrante da Variante à EN 206, reúne condições edafoclimáticas adequadas ao sobreiro e compensa a área intervencionada (1,135 hectares).
Segundo o Porto Canal, o abate só poderá avançar após a aprovação do projeto de compensação e do plano de gestão respetivo, sendo também necessário um protocolo entre a IP e o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), com uma garantia escrita a favor deste organismo. A execução deverá ainda respeitar todas as exigências legais e as condicionantes da declaração de impacte ambiental.
A obra, contratada em novembro de 2024 ao consórcio Casais/Somafel por 110,7 milhões de euros, prevê a eletrificação integral de cerca de 47 quilómetros de via entre Marco e Régua, atualmente ainda não eletrificados. Inclui a instalação do sistema de retorno de corrente de tração e terras (RCT+TP), trabalhos em estações e apeadeiros (com cais até 200 metros de comprimento), reabilitação de túneis e estabilização de taludes.
Serão intervencionados seis túneis (Juncal, Riboura, Loureiro, Má Passada, Santinho e Régua), e os trabalhos abrangem também o alteamento ou relocalização de plataformas, modernização do traçado das estações, substituição de material de via e reformulação do sistema de drenagem.
A eletrificação da Linha do Douro está atualmente concluída até Marco de Canaveses. Estão igualmente em curso os estudos para os troços Régua–Pocinho e Pocinho–Barca d’Alva. A reabertura deste último, encerrado em 1988, continua a ser defendida por vários municípios e entidades da região.
A Linha do Douro tem 171,5 quilómetros e liga o Porto ao Pocinho, atravessando alguns dos cenários mais emblemáticos do património paisagístico e vinícola do país.