Como acontece em várias regiões, a cidade do Porto também apresenta vocábulos que, tendencialmente, se associam à mesma. Por esse motivo, demos um “salto” até ao livro “Falar à Moda do Porto”, de José Carlos Brito.
Neste, constam várias expressões populares portuenses que, possivelmente, usa no dia a dia, e se calhar nunca pensou no seu significado histórico.
1. Gabiru
Possivelmente, quando alguém tem uma atitude provocatória, já terás pensado que o dito cujo está “armado em Gabiru”. Trata-se de uma expressão típica da nossa cidade, mas que tem um significado com raízes históricas bem profundas.
De acordo com a obra em questão, a palavra “Gabiru” foi introduzida pelos portugueses, depois de regressar do Brasil. Na altura, corria o século XIX e, ao que tudo indica, a expressão queria dizer “rato”.
Neste caso, alguém que corresponde às características deste animal (finório, esperto).
2. Guna
Na linguagem corriqueira, é possível que já tenha ouvido a palavra “guna”. Esta faz referência a um indivíduo, geralmente jovem, que inspira um ar delinquente e potencialmente perigoso.
Se alguma vez se questionou acerca da sua origem etimológica, consta que “guna” vem do inglês “goon”: um vocábulo recente, introduzido em finais do século XX.
3. Zobaida
É possível que tenha ouvido esta palavra menos vezes, ainda assim, “Zobaida” é uma expressão portuense que faz referência a uma mulher com excesso de peso. A expressão terá surgido por causa de uma novela brasileira bem conhecida: “Gabriela, Cravo e Canela”.
Segundo a obra de José Carlos Brito, Zubaida era a mulher com quem os parentes de Nacib queriam que este casasse. Na história, esta correspondia às características físicas anteriormente descritas, o que fez com que se começasse a usar a expressão de forma corriqueira.
4. Requitó
“Vais já de requitó para o teu quarto”! Em criança, já deve ter escutado alguma vez esta palavra, em situações onde o comportamento não terá sido o melhor. Trata-se de uma expressão imperativa, geralmente de quem força alguém a ir de um lado para o outro.
Acredita-se que a mesma terá origem na palavra “riquexó”. Este é uma espécie de veículo de duas rodas, que é conduzido por uma pessoa. É também um meio de transporte bastante frequente de ser observado em certas cidades do Oriente.
Pelo contexto, ir de “requitó” quer dizer ir embora depressa.